OPINIÃO: Uma reflexão sobre o processo de formação continuada de professores como um importante fator de qualidade do ensino
Destaque

15 Outubro 2020

O texto discute a formação continuada de professores no cotidiano da escola de ensino fundamental e sua relação com a qualidade do ensino, enfatizando o papel do diretor nesse processo e a necessidade de articular teoria e prática, por isso a necessidade de um projeto de Formação Continuada que atenda às reais necessidades da escola, construído pelo coletivo da instituição e inserido dentro do Projeto Político Pedagógico, pois as pessoas se comprometem mais com algo que ajudaram a construir. A formação continuada é entendida aqui como um mecanismo de permanente capacitação reflexiva dos profissionais frente às múltiplas exigências, desafios que as mudanças sociais, econômicas e culturais colocam para a escola e para a prática dos professores.

Educar, numa sociedade que se transforma tão rapidamente, constitui um grande desafio, que requer dos educadores e da escola uma nova postura, novos saberes, novas competências, capazes de responder com eficiência às novas e atuais demandas da sociedade.

Diante dos desafios e contradições do mundo moderno, o papel da escola é o de desenvolver um projeto de educação comprometido com o desenvolvimento das competências e habilidades que capacitem o aluno a intervir na realidade e transformá- la, elegendo a cidadania como eixo básico de sua prática. Aqui entende-se por competência a capacidade de mobilizar diferentes recursos cognitivos para enfrentar diversas situações e ela constrói-se em formação permanente e no cotidiano escolar do professor.

O direito à educação de qualidade para todos, previsto na legislação educacional, só será efetivado através do trabalho de professores e professoras qualificados, porque grande parte dos problemas de aprendizagem é, na verdade, problemas de ensino. Não que se deva atribuir todos os problemas de aprendizagem dos alunos à prática dos professores, à falta de qualificação, mas existem competências mínimas sem as quais o professor jamais poderá desenvolver um trabalho de qualidade.

O professor doutor José Cerchi Fusari destaca cinco aspectos essenciais dentro do conceito de competência, que são o domínio competente e crítico do conteúdo a ser ensinado; a clareza dos objetivos a serem alcançados; o domínio competente dos meios de comunicação a serem utilizados para a mediação eficaz entre o aluno e os conteúdos do ensino e a visão articulada do funcionamento da escola, como um todo.

E essas competências não são adquiridas apenas na formação inicial. Muito voltada para a teoria, ela não prepara o futuro professor para a realidade da sala de aula e para atuar frente à diversidade que caracteriza os alunos e diante dos inúmeros desafios, problemas e necessidades que chegam à escola e interferem na aprendizagem.

Um dos princípios que precisam orientar a construção do P.P.P.(Projeto Político Pedagógico) da escola e um dos fatores determinantes da qualidade do ensino, a formação continuada dos docentes é um processo contínuo e permanente de desenvolvimento profissional do professor. Constitui, ao lado da formação inicial, um dos mais importantes elementos de valorização dos profissionais da educação, pois, quando bem conduzida, colabora para o aperfeiçoamento de sua prática e oportuniza reflexões e tomada de decisões sobre a ação docente, articulando teoria e prática.

No âmbito legal a garantia da formação continuada dos professores está prevista na LDB 9394/96, em seus artigos 61,62, 63 e vem ganhando posição de destaque nas discussões relativas às políticas públicas e na literatura educacional em todo o país, sempre associada, entre outros determinantes internos e externos, à qualidade do ensino.

Em tempos de mudanças aceleradas como as que vivemos hoje, em que novas demandas e pressões são colocadas para a escola e para os profissionais que nela atuam, faz-se necessário que os educadores questionem alguns paradigmas, “certezas” e modelos fortemente arraigados, os quais funcionaram no passado, mas para hoje já não são válidos e se apropriem dos conhecimentos, atitudes, valores e habilidades capazes de responder aos desafios da atualidade.

O objetivo do Ensino Fundamental, como apresentado na LDB 9394/96 é a “formação básica do cidadão mediante o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo, a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade, desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, do fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância.”

A família, os alunos e a sociedade mudaram e agora o grande desafio é aprendermos a lidar com a diversidade, a heterogeneidade e os interesses diversos que chegam à escola, em decorrência da quase democratização do acesso à educação. Por isso a formação continuada deve ser entendida como um mecanismo de permanente capacitação reflexiva dos profissionais frente às múltiplas exigências, desafios que a ciência, a tecnologia e o mundo do trabalho colocam.

Para ajudar os alunos no desenvolvimento das competências previstas na LDB, é imprescindível a competência técnica, política e ética, as quais só se adquirem por meio de estudos, discussões, reflexões. É fundamental, portanto, oportunizar aos docentes momentos de estudo na própria instituição em que atuam, com base na identificação das suas necessidades de aprendizagem e dos problemas detectados na equipe, buscando valorizar a prática realizada pelos docentes no cotidiano da escola e os conhecimentos teóricos, articulando teoria e prática na construção do conhecimento profissional.

Nesses momentos de convivência, por meio de estudos e trocas é que os professores e professoras irão produzir respostas aos problemas presentes no processo de ensino e aprendizagem e desenvolvem-se como profissionais, ao mesmo tempo em que a escola  também vai se modificando.

Por isso defende-se os processos de formação continuada em serviço desenvolvidos na instituição escolar, a partir de um Projeto de Formação Continuada, construído pelo coletivo da instituição e inserido dentro do Projeto Político Pedagógico e que atenda às reais necessidades da escola e da comunidade, como um dos caminhos para melhorar a educação.

Contudo, a formação em serviço na própria escola não exclui a necessidade de busca de qualificação fora dela, através de participação em encontros, seminários, congressos, leituras e outros, que contribuem para socializar conhecimentos, ampliar as experiências e as relações entre diferentes instituições e pessoas. Nessa tarefa o gestor escolar tem um importante papel, que é o de incentivar o crescimento da equipe e de cada um na busca de continuo aperfeiçoamento.

Portanto, um dos mais importantes desafios que se impõem aos gestores escolares é o de promover a formação continuada e em serviço da equipe de professores através de estudos e da reflexão sobre a própria prática. É importante que a formação tenha a prática educativa e o ensinar como objeto de análise e que na escola sejam colocadas para a equipe de educadores questões como: o modo de fazermos educação responde aos desafios do tempo presente? Estamos, com nosso trabalho, oferecendo aos alunos as ferramentas necessárias para a formação da cidadania e para agirem no mundo com ética e competência? A formação deve servir para os educadores construírem fundamentos teórico- metodológicos capazes de transformar as práticas educativas e promover a aprendizagem de todos os alunos.

No cenário das mudanças sociais, econômicas e culturais da sociedade atual e de reformas educacionais, amplia-se o papel da escola e do gestor escolar para além de atividades burocráticas. Espera-se que o gestor seja capaz de liderar fazendo uso eficiente dos recursos, conquistar a comunidade, implementar parcerias, mas principalmente que ele seja capaz de instrumentalizar o professor para atuar no atual e complexo contexto social. Dirigir a equipe de professores para o desempenho máximo de sua potencialidade ajudando-os a chegarem onde nunca estiveram, a se tornarem referência em estudo e em conhecimento para a sociedade é uma das mais importantes tarefas do gestor escolar hoje.

E para modificar o cenário do fracasso escolar, que se traduz em reprovação, aprovação sem as habilidades mínimas para a série/ano, que é tão prejudicial quanto a reprovação, é preciso investir em contínua formação, pois sem qualificação as necessárias mudanças não ocorrerão. A qualificação em serviço, além de necessária, é um direito do professor.

Existem, é claro, outros fatores, internos e externos ao ambiente escolar, que determinam a qualidade do ensino, como a gestão escolar, os investimentos em infraestrutura, materiais e equipamentos, a participação dos pais e da comunidade na escola, os salários dos professores e as condições de trabalho, entre outros , mas sem a adequada qualificação nada disso funcionará.

Além das políticas de formação elaboradas e implementadas pelos órgãos oficiais é necessário que cada escola, dentro de suas especificidades e particularidades, elabore e desenvolva também seu próprio projeto de Formação Continuada, para atender as necessidades identificadas no grupo de professores, pois os modelos de formação vigentes nem sempre tem se mostrado eficientes e adequados; então é preciso avaliar para compreender as causas de insucessos na formação ofertada aos docentes e buscar a superação dessas dificuldades. A formação continuada, para ser eficaz, necessita, portanto, mobilizar os saberes teóricos e práticos, pois o saber docente não é resultado apenas da prática, mas também nutre-se das teorias da educação, para que o professor possa investigar a sua própria atividade e, a partir dela, ir construindo sempre novos saberes, num processo contínuo de reflexão da própria prática docente, como fator determinante para uma prática educativa mais competente e transformadora.

 

Por: Maria Dinalva da Silva Lima- Professora aposentada, licenciada em Pedagogia com especialização em Orientação Educacional e Gestão Escolar

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